Ah, Sinhá, a vida passa tão rápido que a gente nem vê!
Não vê, mas sente
Ela se esvaindo
Se consumindo
Fugindo
Escorrendo por entre as vigas do tempo
Ah, o tempo
Segue triturando tudo
Moendo sonhos
Cozendo esperanças
Sorvendo lutas
Apagando chamas
Dando menos do que ousou pedir
É esse sentimento de urgência que me consome
É um não sei o quê de inadequação que me toma
Que me assalta
Que me transtorna
Quando vejo, é um estar sem estar
Uma saudade sem nome
Sem face
Sem corpo
Sem alma
Uma saudade etéria
Tudo indo…
E eu ficando
Outras vezes, sou eu que vou…
E tudo fica.
Houve tantos hiatos
Hiatos abismais
Abissais
Demais
Tantas interrupções
Desnecessárias
Irrefletidas
Insanas
Desmedidas
Tantas tarefas por fazer
Por construir
Por terminar
Tantas…
Mas quando vejo
Já são 18h
É sexta-feira
Já chegou dezembro

Ainda haverá tempo?
“Segue o bonde”, dizem-me alguns…
Seguir como?, pergunto-lhes
[…]
Silente prossigo
Silente e só
O tempo é inimigo da gente, Sinhá!
Ele há de nos levar tudo…
E quando nada mais restar,
Levar-nos-á.

Sobre o autor:

Padre Claudemar Silva é do clero da diocese de Uberlândia-MG. Mineiro de nascimento, Poeta por vocação e Escritor por teimosia. Seu lema presbiteral: "O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos" I Jo 1, 3.

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