Iniciamos hoje, na Igreja, o Tempo Litúrgico do Advento. Tempo de espera e de vigilância; Tempo de renovação das esperanças e da fé em dias melhores; de crença no homem e na sua capacidade de superação. Fé no porvir, na resiliência daqueles que superam os maiores obstáculos e ainda encontram forças para motivar os que insistem em permanecer caídos. É o Tempo da teimosia em avançar, não obstantes os muitos entraves. A vida segue pedindo passagem. O novo, tão temido, mas tão desejado, já se deixa entrever. Ele virá com certeza. É o tempo de crer nas promessas de um Deus muito próximo de nós. De tão perto, Ele quis se fazer um conosco; humanou-se. Sua humanidade nos revela nossa verdadeira altura: podemos ser do tamanho de Deus. Foi o tempo em que “ser humano” era sinônimo de sensibilidade, coerência, solidariedade e compaixão. “Fulano é tão humano…”, “é preciso humanizar as relações…”. Hoje, temos medo do humano. O homem brutalizou-se. Tornou-se uma ameaça para a própria espécie. De novo precisamos de um Deus, do único Deus, para nos recordar nossa verdadeira essência. Só um Deus poderia nos salvar de nós mesmos. Só um Deus cujas entranhas são de misericórdia poderia alçar nosso voo e descer conosco às nossas estreitezas mais intimas e imperscrutáveis. De novo é Ad-vento. Aquele que há de vir está pra chegar. Já se ouvem seus passos e seu perfume, odorífico, é sentido a distância. Seu brilho dissipa as escuridões da noite e sua face já rejuvenesce nosso coração, por vezes entristecido, desesperançado e só. Vem, Menino-Deus, e acenda de novo as nossas lâmpadas com o óleo da Tua presença. Vem, pobre-criança-indefesa e nos ensina de novo a confiar, na vida, em nós mesmos, nos outros e, sobretudo, em Deus. Vem, ó recém-nascido-sem-lugar de um Belém distante, e se hospede em minha casa, em minha história e na minha vida. Permaneça comigo. Preciso tanto ouvir tua voz! Vem, Emanuel, e fica antes, durante e depois de tudo. E desperta-me do sono em que me encontro e coloca-me de pé e no prumo, sobre os trilhos da vida ensaiada e pouco vivida, e anuncia-me de vez, em alto e bom som, o inaudito do mundo que de outro modo eu não saberia alcançar, nem perceber. Vem! Maranathá!

Sobre o autor:

Padre Claudemar Silva é do clero da diocese de Uberlândia-MG. Mineiro de nascimento, Poeta por vocação e Escritor por teimosia. Seu lema presbiteral: "O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos" I Jo 1, 3.

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