“Padre, o senhor poderia me tirar uma dúvida?”. Se eu puder, com prazer, respondi. Ela então me contou que, num momento de dor e sofrimento, fez uma promessa para o um parente que estava enfermo: se ele se curasse, ele iria a pé a um Santuário conhecido a fim de agradecer pela graça recebida. Só que, curado, ele não tinha ido e agora voltara ao hospital por um outro motivo e está entre a vida e a morte.

Após ouvi-la, argumentei: primeiro, a senhora – nem ninguém – pode fazer promessa para o outro cumprir. Não temos esse direito. Não é justo nem polido pôr fardos sobre ombros alheios sem prévia autorização. A senhora “poderia” ter feito a promessa, mas para a senhora cumprir. Como ele não a cumpriu, cabe à senhora ir ao Santuário. Perante Deus, o responsável pela promessa é a senhora e não ele.

Depois, evite fazer promessas. Promessas é um modo de barganhar com Deus alguma coisa. E isso é estranhíssimo para a fé cristã. Pois, em Deus, tudo é gratuito. Ele nos cura – se assim desejar – por pura gratuidade, sem esperar nem reivindicar nada em troca. E a oração mais agradável a Deus é aquela que sempre termina como a de Jesus na cruz: “Pai, se possível, afasta de mim este cálice. Todavia, não seja feita a minha vontade, mas a Tua vontade seja feita” (Lc 22, 42). Nós temos o direito de apresentar a Deus as demandas do nosso coração. E até com insistência dizer-lhe o que desejamos – como a cura de um ente-querido, por exemplo -. Porém, precisamos ter a maturidade de reconhecer que, no fim, é sempre a vontade d’Ele que prevalece e não a nossa.

E, por fim, prometer a Deus e não cumprir é pecado, como nos recorda o livro do Eclesiastes: “Quando fizeres algum voto ou promessa, cumpre-os sem demora, pois somente os tolos desagradam a Deus. Cumpre, pois a tua palavra! Portanto, é melhor não prometer do que fazer um voto e não cumprir a palavra empenhada. Não permitas, pois, que tua boca te conduza ao pecado. E não digas ao sacerdote, ao mensageiro de Deus: “Cometi um engano! O que prometi em meu voto não foi bem o que eu queria dizer!” (Ecl 5, 4-6).

Portanto, na medida do possível, nada de promessas. Mas se as fizermos, que não seja para o outro cumprir; e sim, nós, e o quanto antes.

Sobre o autor:

Padre Claudemar Silva é do clero da diocese de Uberlândia-MG. Mineiro de nascimento, Poeta por vocação e Escritor por teimosia. Seu lema presbiteral: "O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos" I Jo 1, 3.

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